No Woman no Cry: Minha Vida com Bob Marley - Rita Marley.


No Woman no Cry: Minha Vida com Bob Marley.



Rita Marley. 
No Woman no Cry: 
Minha Vida com Bob Marley.

  Em No Woman no Cry , os leitores irão conhecer detalhes nunca antes revelados da vida de Bob Marley, incluindo:
  Como Rita praticava a agricultura de subsistência assim que se casou com Bob, para garantir a alimentação da família.

 Como Rita rodava de bicicleta pela cidade carregando cópias das últimas canções de Bob, para vender.
 Como Rita trabalhou como doméstica em Delaware, para ajudar no sustento da família, quando as crianças eram pequenas.
  Porquê Rita escolheu ficar amiga de algumas das mulheres que Bob namorou, dando-lhes conselhos sobre como criar os filhos que tiveram com Bob.
 A história do atentado a Bob, que quase tirou a vida dos dois.
 Os últimos desejos, sonhos e esperanças de Bob, bem como detalhes de sua morte, tais como quem compareceu ao funeral.
  A vida de Bob Marley aos olhos de Rita, a sua companheira de sempre, deu um livro. Os tempos difíceis em Kingston, as intermináveis digressões mundiais nos anos 70, o envolvimento político, as outras mulheres de Bob e a morte precoce do ícone maior do reggae - tudo é contado na primeira pessoa pela mulher que acompanhou o cantor de «One Love» nos piores e nos melhores momentos. A tradução portuguesa de No Woman No Cry, de Rita Marley e Hettie Jones, chega agora à estampa pela Casa das Letras e a BLITZ levanta a ponta do véu, em pré-publicação.



Acompanhe um trecho do livro:


 Nessa altura, em meados da década de 60, toda a gente que eu conhecia andava entusiasmada com um novo estilo de música jamaicano conhecido por "rock steady". As nossas estrelas preferidas eram Toots and the Maytals, Delroy Wilson, os Paragons, Ken Booth, Marcia Griffiths e em especial um grupo que se auto-intitulava Wailing Wailers.
 Os Wailers tinham gravado alguns singles de rock steady num estúdio em Trench Town, próximo da zona onde eu e Dream vivíamos. Na altura, Kingston tinha uma série de pequenos estúdios de gravação, alguns dos quais eram apenas um de vários negócios de um mesmo proprietário – a Beverley’s Record e a Ice Cream Parlor eram um caso desses (o seu proprietário vendia também material de escritório); outro era uma combinação de estúdio com loja de bebidas. O Studio One, na Bentford Road, pertencia a "Sir Coxsone", um homem chamado Clement Dodd que há muito apoiava a música jamaicana e que teve um contributo importante para o seu desenvolvimento.
 Quando descobri que os Wailing Wailers passavam todos os dias à minha porta, a caminho do estúdio de Coxsone, disse a Dream e a Marlene que tínhamos de conhecê-los e de cantar para eles. Certa noite, quando olhei para a rua, eles estavam a passar frente ao cemitério, por isso nós três corremos para lhes acenar. Ao olhar para eles – também eram três como nós – pensei, parecem-me tipos simpáticos, poderia tornar-me amiga deles. Apesar da Aunty estar sempre a dizer: "Não vás à procura de trabalho de rapazes, já tens um filho, por isso acalma-te, ou vais trabalhar, ou voltas para a escola ou então terei de te mandar para junto do teu pai – não vais é ficar aqui e tornar-te um empecilho!"Não obstante, comecei a procurar os Wailers e a ouvir a música deles na rádio e um dia, não muito depois, eles pararam e retribuíram os acenos e o Peter Tosh, o mais alto, atravessou a rua enquanto os outros se encostavam ao muro do cemitério, dedilhando as guitarras. Peter apresentou--se – o seu nome verdadeiro era Winston Hubert McIntosh – e perguntou como é que eu estava e como me chamava e disse que eu era uma “rapariga gira.”
 “Com que então vocês são os Wailers, – disse eu, – “E quem é aquele?”
 “Aquele é o Bunny,” respondeu-me,
“e o outro é o Robbie.”
 “Olá!”, gritei para o outro lado da rua, tentando sempre arranjar maneira de lhes dizer que também cantávamos. Mais tarde disse a Dream, “Vamos tentar ensaiar aquela canção “What’s Your Name?”, do Sam e do Dave.”
 Da vez seguinte que os Wailers passaram e pararam para nos cumprimentar, disse ao Peter, “Nós cantamos um pouco, sabias?” E ele responde, “Então canta, man.”
 Aunty estava a ser tão rigorosa comigo, desde que tinha tido a Sharon, que nem me deixava falar com rapazes fora do nosso pátio. “Não me faças sentir como uma velha só porque eu tive um bebé! Ainda sou nova, ainda posso ser feliz!” Tinha gritado com ela. Mas segundo as regras, eu só podia conversar com rapazes por cima da vedação, por isso quando Peter me pediu, eu abri o portão e fiquei meio dentro, meio fora. E cantámos.
 No dia seguinte, não só o Peter se aproximou, como também aquele que se chamava Robbie. Desta vez eu estava sozinha. Eu e ele cumprimentámo-nos, mas ele era tímido e eu achei que ele era um rapaz simpático.               Depois o Peter disse, “Tu pareces ser uma rapariga decente, e parece que sabes cantar, por que é que não vens connosco, um dia destes, até ao Coxsone para uma audição?”
 Este era um convite que precisava de ser ponderado. Seria possível que estes tipos me levassem e violassem? Afinal de contas, Trench Town estava cheio de “criminosos,” perigosos e durões e a maioria sabia cantar.
 Mas nessa altura, alguns amigos do papá, depois de nos terem ouvido cantar no pátio, tinham-se apercebido do nosso talento. Andy Anderson e Denzil Lang também eram amigos de Coxsone, por isso um dia resolveram mexer uns cordelinhos e levar-nos a visitá-lo.
 Excitadíssimos, mas um pouco nervosos, Marlene, Dream e eu fomos até ao estúdio – e lá estavam os Wailing Wailers, que agora estavam tão surpreendidos quanto interessados. Foi fantástico – cantámos umas poucas canções e depois Coxsone pediu a Robbie que tocasse guitarra enquanto nós cantávamos mais um pouco.
 Percebi que foi importante para os três Wailers verem que eu e Dream estávamos a ser educados de forma severa, que na nossa casa havia disciplina, que tínhamos sido levadas a Coxsone por homens mais velhos que sabiam música. O Robbie, em especial, pareceu ter em conta esse aspecto de forma muito positiva. E penso que foi nessa altura que começou a interessar-se por mim. Mas nesse primeiro dia eu não estava concentrada em nenhum deles em particular. Encontrar-me no Coxsone, onde vemos pessoas que ouvimos na rádio, já era excitação suficiente!
 Faria eu a mínima ideia que dentro de poucos meses este Robbie Marley, o guitarrista tímido, se tornaria no amor da minha vida? Suspeitaria eu que ele se tornaria uma força dominante, mundialmente famoso, um ícone da História da Música? (…)




         Rita Marley


  Alpharita Constantia Marley Andersom, 25/07/46) não foi a única mulher da vida de Bob Marley, mas terá sido a sua companheira mais constante. Mãe de quatro dos sete filhos de Bob, é a matriarca do clã Marley, figura protectora que assumia o papel de assessora não oficial do cantor jamaicano, simultaneamente dona de casa, governanta, ama dos filhos e elemento do coro feminino que, em meados dos anos 70, acompanhava Bob e os Wailers.
  Cantava Rita com o trio de ska The Soulettes quando, a meio da década de sessenta, conheceu Bob em pleno Studio One, editora do mítico produtor Clement «Coxsone» Dodd. O casamento celebrou-se em 1966 e, pouco depois, Rita tornava-se cantora de suporte dos Wailers tanto em estúdio como em palco. Aquando da saída de Peter Tosh e Bunny Wailer dos Wailers, torna-se responsável pela constituição do coro feminino The I-Threes, composto por ela própria, Márcia Griffiths e Judy Mowatt.
A influência de Bob na sua vida é determinante: é por ele que se converte ao movimento Rastafari, depois de testemunhar a visita a Kingston de Haile Selassie I, imperador da Etiópia. Após a morte de Bob, editou discos em nome próprio («One Draw», canção de 1981, foi banida pela BBC por conter referências óbvias ao consumo de marijuana) e formou o grupo infantil Ziggy Marley & The Melody Makers, onde pontificavam os seus quatro filhos. A viver actualmente no Gana, Rita Marley quebrou um silêncio editorial de doze anos em 2003, com a compilação Rita Marley Sings Bob Marley… and Friends.




                                                                                                                Fonte: blitz.aeiou.pt


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